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Capela da Fortaleza
Virtude Cardeal · 3

Fortaleza

Fortitudo
O LIMIAR

No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem: eu venci o mundo. — Jo 16, 33

A fortaleza é a mais combativa das virtudes. A prudência habita a inteligência. A justiça habita a vontade. A fortaleza habita o que os medievais chamavam de apetite irascível: aquela parte da alma que se levanta diante do difícil, que enfrenta ou resiste. É a virtude dos que não fogem.

Josef Pieper resume as quatro cardeais com uma fórmula que situa cada uma:

"A prudência olha para toda a realidade existente; a justiça, para o próximo; o forte renuncia, no esquecimento de si, aos próprios bens e à vida; a temperança visa o próprio homem." — Josef Pieper, As Virtudes Fundamentais

A fortaleza é a única que exige perda. Quem é forte aceita perder algo — conforto, reputação, segurança, a própria vida — em nome do bem. É por isso que a tradição a representa com uma torre ou uma coluna: o que não cede quando tudo ao redor desmorona.

Mas há uma armadilha. A cultura moderna confunde fortaleza com agressividade, com a postura do herói que avança sem medo. Santo Tomás diz o contrário: o ato mais nobre da fortaleza não é atacar. É sustentar.

O QUE É — E O QUE NÃO É

O que não é

A fortaleza não é ausência de medo. Pieper insiste neste ponto: "A fortaleza pressupõe vulnerabilidade." Quem não teme nada não precisa de fortaleza — precisa de psiquiatra. O ser humano é frágil. Teme a dor, a humilhação, a morte. A fortaleza não elimina o medo; age apesar dele. O soldado que avança sem medo nenhum pode ser temerário, louco ou inconsciente. O soldado que avança tremendo, mas avança porque o dever o exige, esse é forte.

A fortaleza também não é obstinação. O pertinaz que se agarra a uma posição por orgulho — porque admitir o erro lhe custaria a vaidade — não é forte. É vaidoso. Santo Tomás classifica a pertinácia como vício oposto à perseverança, porque se parece com ela por fora mas tem raiz diferente: a perseverança nasce do amor ao bem; a pertinácia, do apego a si mesmo.

A fortaleza não é irritação. Quem grita, quem explode, quem bate na mesa e se impõe pela força da voz pode parecer forte, mas frequentemente é fraco. Está descontrolado. A verdadeira fortaleza é serena, porque nasce de uma decisão da vontade, não de uma erupção do temperamento. São Josemaría fazia uma distinção cortante entre fortaleza e mau gênio.

Pieper acrescenta uma observação que deveria incomodar os entusiastas: "Há também uma falsa fortaleza que nasce da prontidão excessiva para proclamar o 'júbilo da disponibilidade para o martírio.'" A bravata espiritual — o cristão que fala o tempo todo de estar pronto para morrer pela fé — pode ser vaidade disfarçada de coragem. Pedro na Última Ceia dizia com ardor total: "Darei a minha vida por ti!" (Jo 13, 37). Horas depois, negou três vezes. Tinha emoção, não tinha firmeza.

O que é

O Catecismo define: "A fortaleza é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na busca do bem. Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. Dá capacidade para vencer o medo, até da morte, e enfrentar a provação e as perseguições" (n. 1808).

Santo Tomás define de modo mais denso: Fortitudo est firmitas animi in sustinendis et repellendis iis in quibus maxime difficile est firmiter agere — a fortaleza é a firmeza de ânimo em sustentar e repelir aquilo em que é muito difícil agir com firmeza.

A expressão-chave é firmitas animi — firmeza de ânimo. Não é excitação, não é ímpeto, não é adrenalina. É a decisão firme, mantida no tempo, de não ceder diante do que ameaça ou dói. É a coluna que não verga.

Pieper sublinha que a fortaleza é uma virtude subordinada: "A fortaleza aponta para algo anterior a ela." A fortaleza não existe para si mesma. Existe a serviço de um bem — e esse bem precisa ser discernido pela prudência e amado pela caridade. Sem prudência, a fortaleza degenera em temeridade. Sem caridade, vira brutalidade. "Não é a dificuldade nem o esforço que causam a virtude, mas o bem apenas."

Os dois atos: atacar e sustentar

Santo Tomás distingue dois atos da fortaleza: aggredi (atacar, empreender, avançar contra o obstáculo) e sustinere (sustentar, suportar, resistir sob pressão). E afirma algo que contraria a intuição moderna: o ato mais nobre é sustentar, não atacar.

A razão é dupla. Primeiro: sustentar é mais difícil, porque exige resistência prolongada. Atacar pode ser questão de um momento de audácia; sustentar pode ser questão de anos de fidelidade silenciosa. Segundo: quem sustenta enfrenta um inimigo já presente, que já está a causar dano; quem ataca enfrenta um inimigo ainda à distância.

A iconografia medieval representava a fortaleza com uma mulher segurando uma coluna ou abraçada a uma torre — não com uma espada. A imagem é de quem segura firme, não de quem investe.

São Josemaría traduzia isso para o cotidiano:

"A fortaleza não é para os dias dramáticos apenas. É para a terça-feira comum, quando nada de especial acontece e tudo pesa." — São Josemaría Escrivá

Levantar-se pela milésima vez para a mesma obrigação, voltar à oração quando a aridez é completa, suportar o colega difícil sem retaliação, manter um compromisso quando o entusiasmo inicial desapareceu — tudo isso é sustentar. É o ato mais nobre da fortaleza, e o menos espetacular.

A ANATOMIA DA VIRTUDE

Virtudes associadas à fortaleza

Santo Tomás organiza ao redor da fortaleza um conjunto de virtudes que a desdobram:

Magnanimidade (magnanimitas). A grandeza de alma. A disposição para coisas grandes. O magnânimo não se contenta com o medíocre: aspira ao bem excelente e empreende obras proporcionais. Aristóteles já tratava dela na Ética a Nicômaco. Santo Tomás a integra na fortaleza porque empreender coisas grandes exige coragem.

O vício oposto por falta é a pusilanimidade — e aqui Santo Tomás surpreende: considera a pusilanimidade mais grave do que a presunção. O presunçoso ao menos tenta algo, ainda que acima das suas forças. O pusilânime recusa o bem que Deus lhe pede por medo do custo. Enterra o talento na terra (Mt 25, 25). "Tive medo e escondi o teu talento." Medo. A pusilanimidade é o medo vestido de humildade.

Magnificência (magnificentia). A disposição para grandes obras materiais. Não é ostentação; é a capacidade de empregar recursos proporcionais a uma causa grande. O que constrói uma catedral exerce magnificência. O que gasta o mesmo dinheiro para exibir-se exerce vaidade.

Paciência (patientia). A capacidade de suportar males prolongados sem perder a paz interior. Santo Tomás nota que um dos efeitos principais da paciência é expulsar a tristeza do coração. Não porque ignore a dor, mas porque a situa num horizonte maior.

Santo Agostinho dedicou um tratado inteiro a esta virtude: o De Patientia. Começa com uma observação surpreendente: Deus é paciente. Deus não pode sofrer, não pode padecer (a palavra paciência vem de pati, padecer), e, no entanto, Deus é paciente. Espera que os maus se corrijam. Suporta a ingratidão dos homens. A paciência humana é participação nesta paciência divina.

Agostinho distingue a paciência verdadeira da falsa:

"A paciência do homem que é reta e digna de louvor e merecedora do nome de virtude é aquela pela qual suportamos os males com ânimo igual, ou seja, sem perturbação, para não abandonar com ânimo desigual os bens pelos quais atingimos os bens maiores." — Santo Agostinho, De Patientia

A falsa paciência é a do herege que suporta o sofrimento por teimosia, ou a do criminoso que aguenta a prisão por cálculo. A verdadeira paciência é a que se apoia em Deus.

Joseph Ratzinger, antes de ser Papa, chamou a paciência de "a forma quotidiana do amor." A formulação é precisa: na maioria dos dias, o amor não se expressa em gestos heroicos. Expressa-se em suportar. Em não retrucar. Em voltar a ouvir. Em recomeçar.

Perseverança (perseverantia). Manter o bem começado até ao fim. Santo Tomás distingue perseverança de constância: a perseverança resiste à dificuldade que vem da duração (o tempo cansa); a constância resiste à dificuldade que vem de obstáculos externos. São virtudes irmãs, mas a perseverança é mais essencial, porque:

"A dificuldade proveniente da duração do ato é mais essencial ao ato da virtude do que a procedente dos obstáculos externos." — Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 137

Santo Agostinho nota que a perseverança final — a graça de morrer em estado de graça — é dom puro de Deus: "Quem perseverar até ao fim será salvo" (Mt 10, 22). Ninguém pode ter certeza de possuí-la; todos devem pedi-la diariamente.

O dom do Espírito Santo: Fortaleza

O dom da Fortaleza do Espírito Santo aperfeiçoa a virtude do mesmo nome, dando-lhe uma firmeza que excede as forças naturais. Santo Tomás explica que o dom "respeita à virtude da coragem não só quando consiste em afrontarmos os perigos, mas também quando consiste em fazermos qualquer obra árdua." Não é reservado para mártires. É para qualquer cristão que precisa fazer algo difícil e sabe que as suas forças não bastam.

São Paulo testemunha: "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fl 4, 13). E noutro lugar: "Quando sou fraco, então sou forte" (2Cor 12, 10). O paradoxo cristão: a força de Deus opera na fraqueza humana, não apesar dela.

AS SOMBRAS

A impaciência

O Padre Faus dedica o livro A Paciência à análise deste vício com uma profundidade rara. Parte de uma observação que todos reconhecem: sempre são as contrariedades que nos fazem perder a paciência. Nunca nos impacientamos quando tudo corre bem.

A impaciência, na sua essência, é a incapacidade de sofrer. A palavra paciência vem do latim pati, padecer. A virtude da paciência cristã é a capacidade de sofrer com fé, esperança e amor. A impaciência é a recusa de sofrer, seja qual for a forma dessa recusa: a queixa, o murmúrio, o desânimo, a fuga, a desistência silenciosa.

Faus distingue impaciência de ira. A ira é uma explosão: grita, bate, injuria, fecha portas com estrondo. A impaciência é uma erosão: queixa-se, suspira, desanima, vai desistindo aos poucos. São "irmãs siamesas", mas diferentes. A ira é perda de controle emocional. A impaciência é perda de disposição para suportar.

Uma das observações mais incômodas do livro: a separação "civilizada" de casais que não brigam, que resolvem tudo "como gente madura", pode esconder a mais pura impaciência. "Por trás de tanta calma, o que é que houve? Uma elementar incapacidade de sofrer, de aceitar e superar com generosidade as contrariedades e divergências normais de uma vida a dois." Faus é duro: "Costumam ter maior grandeza de coração os que se separam arrastados por uma erupção de raiva do que os que o fazem com indiferença fria e calculista. A ira, às vezes, é apenas sinal de fraqueza. Mas a infidelidade fria é sempre retrato do egoísmo."

O estojo do mundo

Faus usa uma imagem que fica na memória. Todos queremos que o mundo funcione como um estojo de veludo, perfeitamente modelado para acolher os nossos desejos sem atrito. Para o meu mau humor, o estojo de cetim da compreensão dos outros. Para a minha doença, o estojo de seda de um serviço de saúde perfeito. Para o meu trabalho, chefes que me louvem e subordinados que obedeçam.

Quando o estojo falha — e falha todos os dias — começam as queixas, os desânimos, as fugas. A fortaleza cristã é aceitar que o mundo não é um estojo sob medida, e construir mesmo assim.

Vícios opostos

Por falta:

  • A covardia — recuar diante do perigo ou da dificuldade quando o dever exige enfrentá-los
  • A pusilanimidade — recusar o bem grande por medo do custo
  • A moleza (mollities) — ceder ao primeiro desconforto, buscar sempre o caminho mais fácil (Santo Tomás: "desiste do bem árduo por causa dos sofrimentos que acompanham o esforço")

Por excesso:

  • A temeridade — expor-se a perigos desnecessários por impulso, vaidade ou desprezo da própria vida
  • A insensibilidade à dor — que não é virtude, é dureza
  • A ambição desordenada — disfarça-se de grandeza mas na verdade busca glória própria

A falsa fortaleza

Pieper alerta para uma forma sutil de falsa fortaleza que aparece frequentemente entre cristãos devotos: "a prontidão excessiva para proclamar o júbilo da disponibilidade para o martírio." A bravata espiritual — falar muito em sacrifício, em dar a vida, em estar pronto para tudo — pode ser vaidade. São Josemaría captou isso com precisão:

"O bom perfume das virtudes cristãs faz-se sentir não pelas labaredas de um fogo de palha, mas pela eficácia de um rescaldo de virtudes." — São Josemaría Escrivá, É Cristo que Passa

O Padre Faus chama isso de "virtudes-fogueira": ardem por uma noite, no dia seguinte só restam cinzas. Pedro é o exemplo evangélico por excelência. "Ainda que seja preciso morrer contigo, não te renegarei!" (Mc 14, 31). Horas depois, não consegue sequer vigiar uma hora na oração, e Jesus tem de lhe dizer: "Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora?" (Mc 14, 37). E após a prisão, foge e nega três vezes.

Mas a história de Pedro não termina na negação. Termina na restauração. Jesus, depois da Ressurreição, pergunta-lhe três vezes: "Simão, amas-me?" (Jo 21, 15-17). Três vezes, uma para cada negação. E Pedro, desta vez sem bravata, sem promessas grandiosas, responde com humildade: "Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que Te amo." A fortaleza verdadeira nasceu ali: não do entusiasmo, mas do arrependimento.

O TESTEMUNHO
Retrato de São Maximiliano Kolbe

Pintura devocional (séc. XX) · Domínio público

São Maximiliano Kolbe
1894–1941
Torre
Santo Patrono

São Maximiliano Kolbe (1894–1941)

Franciscano polonês. Fundou comunidades religiosas, publicou uma revista mariana com tiragem de centenas de milhares de exemplares, viajou ao Japão para fundar missões. Quando os nazistas invadiram a Polônia, foi preso. Libertado brevemente, voltou a ser preso em 1941 e enviado a Auschwitz.

Em julho daquele ano, um prisioneiro fugiu do bloco de Kolbe. Como represália, o comandante do campo selecionou dez prisioneiros para morrer de fome num bunker subterrâneo. Um dos selecionados, Franciszek Gajowniczek, gritou em desespero que tinha mulher e filhos. Kolbe saiu da fila e se ofereceu para morrer no lugar dele. O comandante, espantado, aceitou.

No bunker, durante duas semanas, Kolbe rezava, cantava hinos, consolava os companheiros. Um a um foram morrendo. Kolbe foi o último. Depois de duas semanas, os guardas o mataram com uma injeção de ácido fênico. Segundo o enfermeiro que presenciou, Kolbe ofereceu o braço esquerdo e manteve os olhos abertos.

Gajowniczek sobreviveu à guerra. Morreu em 1995, aos 93 anos. Passou o resto da vida testemunhando o que Kolbe fez.

O gesto de Kolbe não foi improviso de herói. Foi colheita de uma vida inteira. Anos de oração, de mortificação, de serviço aos outros, de resistência silenciosa. A fortaleza que sustenta uma oferta dessas não se fabrica na hora. Constrói-se ao longo de décadas, nos dias comuns, nas escolhas pequenas.

A fortaleza de Nossa Senhora

O artigo sobre fortaleza no site do Opus Dei observa que a iconografia medieval representava a fortaleza com uma mulher, não com um guerreiro. E que o exemplo supremo de fortaleza na Escritura é uma mulher: Maria, de pé junto à cruz (Jo 19, 25). Stabat Mater — a Mãe que estava de pé. Não desmaiou. Não fugiu. Não gritou. Ficou de pé.

Bento XVI comentava:

"Com Maria devemos começar a compreender que o homem só é grande se Deus é grande. Não devemos distanciar-nos de Deus, mas fazer que Deus esteja presente, fazer que Deus seja grande na nossa vida." — Bento XVI

A magnanimidade de Maria aparece no Magnificat: "Fez em mim grandes coisas o Todo-Poderoso" (Lc 1, 49). Não é vaidade. É fortaleza: a coragem de reconhecer que Deus a escolheu para algo que excede todas as suas forças, e aceitar.

Fulton Sheen e a fortaleza da cruz

Sheen correlaciona a fortaleza com a primeira palavra de Cristo na cruz: "Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23, 34). A fortaleza suprema: perdoar quem nos mata. Não é fraqueza; é a forma mais alta de resistência. É o sustinere levado ao extremo: suportar a injustiça sem retaliação, a dor sem amargura, a morte sem ódio.

Pieper conclui: "Os mártires cristãos não são temerários; exibem uma prudência perfeita. A sua lealdade a Cristo e a sua indiferença diante da morte estão em conformidade com a realidade" — com a realidade de que a morte não tem a última palavra.

O CAMINHO

Como crescer na fortaleza

Aceitar que a vida é luta. O livro de Jó diz: "A vida do homem sobre a terra é uma luta" (Jó 7, 1). Não é pessimismo; é realismo. Quem espera que a vida seja um estojo sob medida viverá frustrado. Quem aceita que há tribulação pode preparar-se para ela.

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Fortalecer-se no ordinário. Não esperar a grande provação para exercitar a fortaleza. O Padre Faus: a paciência se exercita no trânsito, no atraso do colega, na criança que não acorda, no telefone ocupado. São Josemaría: "A fortaleza não é para os dias dramáticos apenas."

Distinguir impaciência de ira. A ira explode e passa. A impaciência corrói por dentro. Identificar se o problema é perda de controle (ira) ou recusa de sofrer (impaciência) muda o tratamento. A ira precisa de domínio de si. A impaciência precisa de fé.

Pensar grande. Não se contentar com o medíocre. A pusilanimidade é mais perigosa do que a ambição: ao menos o ambicioso tenta algo. O pusilânime enterra o talento. Perguntar-se: há algum bem grande que Deus me pede e que estou recusando por medo?

Pedir o dom da Fortaleza. A graça supre o que a natureza não alcança. "Quando sou fraco, então sou forte" (2Cor 12, 10). A oração diária pelo dom do Espírito Santo não é formalidade; é necessidade real.

Aprender com os que caíram e se levantaram. Pedro negou e foi restaurado. A fortaleza definitiva não é a do que nunca cai. É a do que, depois de cair, se levanta com humildade. Santo Agostinho: "Quando um homem começa a renovar-se espiritualmente, começa também a ser vítima das más línguas. Quem não sofreu esta prova não começou ainda a progredir."

Exame de consciência
  1. Recuei diante de algo que sabia ser correto, simplesmente porque me custaria? Chamei isso de "bom senso"?

  2. Suportei com dignidade as contrariedades do dia — o trânsito, o colega, o cansaço, a dor — ou me deixei dominar pela queixa, pelo murmúrio, pela autocompaixão?

  3. Comecei algo bom e abandonei quando a dificuldade apareceu? Tenho compromissos pela metade porque me faltou perseverança?

  4. Penso pequeno por medo de fracassar? Recuso convites ao bem grande por comodismo? Enterro talentos na terra?

  5. Quando a dor chegou — física, emocional, espiritual — fugi para distrações, ou enfrentei-a com fé, sabendo que Deus não me pede mais do que posso carregar com a Sua graça?

  6. Confundo fortaleza com agressividade? Imponho-me pela força da voz em vez de pela firmeza serena da decisão?

  7. Tenho a paciência quotidiana — essa "forma quotidiana do amor" de que fala Ratzinger — ou só consigo ser forte nos momentos dramáticos?

Oração

Senhor, concedei-me a coragem dos mártires para as batalhas pequenas. Que eu saiba sustentar o peso do dia sem reclamar, empreender sem medo e perseverar sem desistir.

Não me deixeis cair na covardia que se disfarça de prudência, nem na bravata que se disfarça de coragem. Dai-me a magnanimidade para pensar grande e a paciência para suportar o pequeno.

Como Maximiliano Kolbe no bunker, que eu saiba oferecer-me. Como Maria junto à cruz, que eu saiba ficar de pé. Como Pedro depois da negação, que eu saiba levantar-me com humildade.

Quando tudo parecer demais, lembrai-me das Vossas palavras: "No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem: eu venci o mundo."

Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Fortitudo est firmitas animi.
A fortaleza é a firmeza de ânimo.
Descobre qual virtude mais precisas trabalhar.
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